Quarta-feira, Maio 03, 2006

O Invasor

Beto Brant é um dos mais promissores diretores do cinema nacional. Não digo isso apenas embasado nos vários prêmios concedidos a ele, que incluem um "Melhor Filme Latino-Americano" no Festival de Sundance em 2001 e um Kikito de Ouro de "Melhor Diretor" no Festival de Gramado em 1997.

Brant faz cinema visceral, onde as características humanas mais extremas são destacadas sem hipocrisia, de uma forma quase subversiva e marginal.
Seu último filme, "Crime Delicado" (2005), explora magistralmente o lado mais obsessivo e doentio da paixão de um crítico de teatro pela musa de um pintor, cujos quadros exploram o sexo e a deficiência da moça, que não possui uma das pernas. O filme estreou em janeiro e infelizmente, como é freqüente, não entrou no circuito de estréia das grandes casas de cinema.
Agora o diretor está envolvido no projeto de seu novo longa "Cão Sem Dono", adaptação cinematográfica de "Até o Dia em que o Cão Morreu", de autoria de Daniel Galera, escritor que lançou recentemente "Mãos de Cavalo", obra muito bem recebida pela crítica.

Em toda a filmografia de Brant, com certeza o filme que merece mais se sobressai é o mais conhecido, "O Invasor" de 2001. Também uma adaptação do livro homônimo de Marçal Aquino, tem no elenco Malu Mader, Marco Ricca, Alexandre Borges, Mariana Ximenes e o músico Paulo Miklos, estreante no cinema, despontando no papel do assassino Anísio.

A trama gira em torno de Ivan (Ricca) e Gilberto (Borges), companheiros desde o tempo de faculdade. São sócios minoritários na construtora de Estevão (George Freire) com quem se desentendem e acabam entrando em choque. Quando Estevão ameaça deixar os negócios, os amigos contratam o assassino Anísio (Miklos) para solucionar o problema e assim levarem a empresa no rumo que desejam.
As coisas começam a dar errado quando Anísio "apaga" também a esposa do sócio e aparece na construtora se proclamando funcionário.

O filme é absolutamente envolvente, rápido, e muito bem fotografado, sem contar que Miklos rouba a cena em uma interpretação conviencente e com maestria de um prossional.
A trilha sonora também é ótima. Conta com músicas de Paulo Miklos, Pavilhão 9, Professor Antena e Tolerância Zero (dessa última pretendo falar por aqui em breve) que dão um clima urbano para a trama.

Se você ainda não assistiu, corra. Esse entra na lista de melhores filmes nacionais da década.

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Segunda-feira, Abril 03, 2006

Música Pra macho

Completamente lotado, saindo gente pelo ladrão, cheio pra caralho.
Esse era o estado que se encontra o Outs na madrugada de domingo, pouco antes do show do Matanza.
Estava quase impossível se movimentar no lugar, certo momento me envolvi em uma odisséia para conseguir uma cerveja meio quente no bar. A árdua tarefa foi cumprida entre cotoveladas, empurrões e saltos sobre corpos alcoolizados esparramados pelo chão.

A direção da casa noturna abusou da paciência dos presentes, prejudicando muito o show de Tor que subiu no palco passadas duas horas da manhã. O vocalista da banda Zumbis do Espaço teve de lidar com um público exasperado pela espera e com problemas técnicos no seu violão fez uma apresentação rápida que não ajudou em nada na divulgação de seu álbum solo: “Maus Hábitos e Promessas Quebradas”.

Mais meia hora de espera até a passagem do som e finalmente o Matanza deu as caras, com o vocalista Jimmy London a gritar um ovacionado “Puta que o Pariu!” antes de soarem os primeiros acordes da guitarra, anunciando um show que apesar do atraso, agradaria até os fãs mais exaltados.Tocaram quase todos os hinos da banda, entre eles: “Eu não bebo mais”, “Ela Roubou Meu Caminhão”, “Bom é o que Faz Mal”, “Santa Madre Cassino” e “Pé na Porta, Soco na Cara” fazendo a multidão presente acompanhar em coro toda a apresentação. Senti falta apenas de “Wide Open Road”, versão da banda para a música de autoria de Johnny Cash.

Os privilegiados presentes também puderam ouvir pela primeira vez duas músicas do novo álbum ainda sem nome que a banda está finalizando e deve sair ainda nesse semestre. “Ressaca Sem Fim” e “Caminho do Bar” são duas porradas do melhor hardcore (ou melhor: countrycore jamboree), com letras típicas da banda, repletas de histórias sobre bebedeiras homéricas e brigas de bar.

No final do show ficou a promessa de um álbum tão pesado quanto os três anteriores que destacaram a banda como uma das mais criativas e engraçadas do cenário nacional.
Não que eles se importem, afinal destaque é coisa de carnavalesco, e Matanza é música pra Macho.

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Sexta-feira, Março 31, 2006

Quer ser Indie?

O Indie 2006 - Mostra de Cinema Internacional de Belo Horizonte, é um festival de cinema independente criado em 2001 e que este ano vai para sua sexta edição, e está com suas inscrições abertas até o dia 19 de maio.

Para participar há duas opções: trabalhos de documentário ou ficção, com duração acima de 70 minutos, produzidos no Brasil, para o programa Indie Brasil; ou filmes documentais e/ou experimentais sobre música, com duração acima de 40 minutos, nacionais e internacionais, para o programa Música do Underground. Os trabalhos devem ter sido produzidos entre 2005 e 2006 e podem ser em 35 mm, 16 mm, ou vídeo (HI-8, VHS, DV), não sendo aceitos curtas, videoclipes ou publicitários.
São permitidos 3 trabalhos de cada realizador.

Para mais informações sobre regulamento e inscrição, acesse: http://www.zetafilmes.com.br/indie/.

***

Mudando de assunto, nesse sábado (01/04) no Clube Outs vai rolar show da banda Matanza com participação especial de Tor, vocalista da banda Zumbis do Espaço. Mulheres e homens pagam 10 pilas para entrar e conferir ao vivo hinos do countrycore jamboree como Ela Roubou Meu Caminhão, Bebe Arrota E Peida, Bom É O Que Faz Mal e Wide Open Road, versão dos caras para o clássico de Johnny Cash.

Eu estarei lá, então já sabem que na segunda tem texto sobre o show e talvez até umas fotos.

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Terça-feira, Março 28, 2006

Luz e Sombra na Pinacoteca

Parece que esse será um semestre de grandes exposições no eixo cultural Rio-São Paulo.
Semana passada estreou na Cidade Maravilhosa Vida Animada de Roy Lichtenstein contendo algumas das mais consagradas obras do artista para alegria dos cariocas. Amanhã, a Pinacoteca do Estado de São Paulo inaugura a mais importante exposição de arte italiana dos últimos anos: Luz e Sombra na Pintura Italiana.

A exposição reúne 65 obras inéditas no Brasil, de grandes nomes da arte italiana , trazendo no acervo nomes como Tintoretto, Veronese, Tiziano, Guercino, Giordano e Lorenzo Lotto. Inclui também obras de artistas de outras nacionalidades que viveram na Itália, como Domenikos Théotokopulos, vulgo "Il Greco".
A mostra concentra-se na produção artística desenvolvida em Veneza, Bolonha e Roma, três dos grandes centros do desenvolvimento cultural italiano, abrangendo o período entre os séculos XVI e XVII, e destaca o principal e mais significativo aspecto da arte italiana nesse período, as técnicas de luz e sombra que revolucionaram os conceitos estéticos da época.

Imperdível para quem se interessa pelo tema ou simplesmente procura um bom programa para o final de semana. Mas não perca tempo, pois a exposição ficará apenas um mês na capital.

Dessa vez não passo vontade.

Luz e Sombra na Pintura Italiana
Pinacoteca do Estado
Praça da Luz, 2 - Jardim da Luz
Tel.: (11) 3229-9844
29 de março a 30 de abril
De terça a domingo - 10:00 as 18:00 horas
Ingresso: R$ 4,00. Gratuito aos Sábados.

Ilustração do Topo: Retrato de Procurador Veneziano, de Domenico Robusti, vulgo 'Il Tintoretto' (Veneza, 1518-94)

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Sexta-feira, Março 24, 2006

É, eu não vou...

O fato de uma banda muito foda, o Jamiroquai, tocar essa noite no Credicard Hall em São Paulo e eu não poder ir já que os ingressos se esgotaram instantâneamente, de maneira alguma torna meu dia mais feliz...

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Quarta-feira, Março 22, 2006

Vida Animada in Rio

Por todo o mundo a pop arte é referenciada pelo histriônico Andy Warhol, seu silk-screen, Marilyns Monroe e latas de sopa Campbell. No entanto, nos anos 60 outro americano também dava grande destaque à cultura de massa: Roy Lichtenstein, cuja obra é diretamente inspirada pelas histórias em quadrinhos em voga na época e por anúncios publicitários.
Mais recluso e menos afeito a exposição na mídia que o “pai do pop”, Lichtenstein em sua obra acrescentou técnica ao movimento sessentista, dando-lhe um toque erudito e conferindo-lhe status de arte.

Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que Lichtenstein é um artista estabelecido, fora dos EUA seu trabalho é pouco familiar à população. Ao contrário de Warhol, que vivia em meio às celebridades criou um culto em torno de si que cresceu com o passar dos anos, Lichtenstein era calmo e estável, mais penetrante e menos chocante que seu contemporâneo.

Por isso, os sortudos cariocas que desejam conhecer melhor a obra desse icône não podem perder a exposição "Vida Animada - Desenhos por Roy Lichtenstein" que abrange o trabalho do artista entre 1958 e 1997 e depois de passar por São Paulo e Curitiba agora aporta pelas praias da Cidade Maravilhosa, mais exatamente no Museu de Arte Moderna do Rio e estreou nessa segunda-feira, dia 21.

Vão lá, aproveitem e façam inveja para este ser que não pode ir. A exposição vai do dia 21 de março ao dia 21 de maio.

P.S.: Infelizmente o MAM-RJ presta uma verdadeira desinformação para os que querem visitar o lugar, sendo que a exposição sequer consta em seu site pelo que pude avaliar.
Então fica aqui o endereço e demais informações:

Museu de Arte Moderna
Av Infante Dom Henrique 85
Parque do Flamengo
Rio de Janeiro/RJ
Fones: (21) 2240-4944/2240-4899
Ter. a sex., 12h/18h - Sáb., dom. e feriados, 12h/19h
R$ 5,00 e R$ 2,00 (estudantes e maiores de 60 anos)
Aos domingos o ingresso família custa R$ 5,00 por grupo
site: http://www.mamrio.org.br/

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Terça-feira, Março 21, 2006

Toca pro Inferno!

Se houve um jornal que deixou saudades em milhares de leitores fiéis, com certeza, este foi o finado Notícias Populares, que entre seus furos exclusivos encontram-se machetes sensacionalistas como: "Broxa torra pênis na tomada" ou "Deu a bunda para salvar a vida", sem esquecer as coberturas orgiásticas do carnaval e os créditos a criação de lendas urbanas como a Loira do Banheiro que já beira os trinta anos assombrando os desavisados alunos escolares em todo o Brasil.

Das várias "reportagens" sobrenaturais do Notícias Populares, a minha preferida é a série sobre o Bebê Diabo, um recém-nascido em um hospital do ABC que já veio ao mundo ameaçando sua mãe de morte.

A notícia originou-se no dia 10 de maio de 1975, um sábado tedioso em que a redação do jornal estava às moscas e sem nenhuma matéria de impacto. Começaram então a procurar nas notícias dos dias anteriores em busca de algo que pudesse ser publicado, dando de cara com a matéria de Marco Antônio Montadon que no dia anterior havia sido pautado para o jornal para checar o nascimento de uma criança com estranhas deformidades.
No local, Montadon conseguiu apurar pouca coisa: a criança nascera com um prolongamento no cóccix e duas pequenas saliências na testa, problemas resolvidos com uma simple cirurgia na própria maternidade. Como a pauta era muito fraca apenas fez uma crônica de horror para preencher o espaço da matéria.

Bingo! O material foi encaminhado para a reunião de fechamento onde rapidamente ganhou o "status" de manchete, ficando ao encargo de Waldemar de Paula redigir a matéria. Ele ainda tentou entrar em contato com o hospital e só conseguiu confirmações de que nada havia de errado com a criança, sobrara-lhe apenas a opção de inventar descaradamente uma boa história que surgiu como:

Nasce o diabo em São Paulo! (NP/11 de maio de 1975)

Durante um parto incrivelmente fantástico e cheio de mistérios, correria e pânico por parte de enfermeiros e médicos, uma senhora deu a luz num hospital de São Bernardo do Campo, a uma estranha criatura, com aparência sobre-natural, que tem todas as características do Diabo, em carne e osso. O bebêzinho, que já nasceu falando e ameaçou sua mãe de morte, tem o corpo totalmente cheio de pelos, dois chifres pontiagudos na cabeça e um rabo de aproximadamente cinco centimetros, além do olhar feroz, que causa medo e arrepios.

Para o assombro da redação do jornal, um telefonema confirmou que todos os exemplares haviam esgotado e os jornaleiros imploravam que a coisa continuasse. Mesmo com discordâncias internas quanto a ética jornalística de publicar uma mentira tão deslavada, um repórter foi enviado ao local do nascimento e para sua surpresa os funcionários confirmaram a história.
O imaginário e as crenças populares ainda estavam ligados ao recente sucesso de O Exorcista que estreara um ano antes do "nascimento" babê, e de outro filme que também havia uma criança que seria a própria encarnação do mal: O Bebê de Rosemary, permitindo dessa forma absurdos como a notícia que iria as bancas no dia 12 de maio anunciando que o capeta havia desaparecido do hospital sem que se soubesse seu paradeiro.

A coisa tornara-se uma bola de neve. A tiragem do periódico que era de 70 mil exemplares ultrapassara a marca dos 150 mil, e agora os leitores ligavam pedindo mais informações sobre o monstro, alegando que o encotraram e afirmações do tipo.

O Bebê Diabo foi palco de um espetáculo que durou 27 dias, 16 dos quais ganhou a primeira página e não parou por um só instante. Expulso de São Bernardo por manifestações religiosas o Brasinha, como fora apelidado carinhosamente, partira para o interior ao encontro de seu pai, um fazendeiro que não tirava de forma nenhuma o chapéu de cowboy, provavelmente escondendo os chifres que denunciariam sua origem.
Deste ponto em diante seguiu-se uma matéria mais mirabolante que a outra, na mais célebre ele teria acenado para um táxi e quando perguntado qual o destino respondeu: "Toca para o inferno!".

Quando a história começou a cansar, a redação providenciou um final a altura: "Sequestrado Bebê Diabo" alardeava a chamada do dia 1º de junho de 1975, onde dizia que fanáticos religiosos haviam seqüestrado o demo e prometiam matá-lo dolorosamente. Quando tudo parecia voltar ao normal, no dia 3 de junho foi noticiado que Brasinha havia fugido para o nordeste do país, consolindo assim a parceria do jornal com José Mojica Martins, o Zé do Caixão, que havia caçado dois anos antes o Vampiro de Osasco (outra invenção do NP), mas como já não vendia tantos exemplares logo tratou-se de por fim completo a série.

Alguns dias após o fim do "caso", a equipe voltava a rotina normal chega na redação um exemplar de um periódico nordestino com a seguinte matéria de capa: "Bebê Diabo Chega em Recife".

As 27 chamadas da série:

11/5 - NASCEU O DIABO EM SÃO PAULO
12/5 - BEBÊ-DIABO DESAPARECE
13/5 - FEITICEIRO IRÁ AO ABC EXPULSAR O BEBÊ-DIABO
14/5 - BEBÊ-DIABO DO ABC PESA 5 QUILOS
15/5 - BEBÊ-DIABO INFERNIZA O PADRE DO ABC
16/5 - NÓS VIMOS O BEBÊ-DIABO
17/5 - POVO VAI VER O BEBÊ-DIABO
18/5 - PROCISSÃO EXPULSARÁ BEBÊ-DIABO
19/5 - VIU BEBÊ-DIABO E FICOU LOUCA
20/5 - SANTO PREVIU O BEBÊ-DIABO
21/5 - BEBÊ-DIABO NOS TELHADOS DAS CASAS DO ABC
22/5 - MÉDICO AFIRMA: O BEBÊ-DIABO NASCEU NO ABC
23/5 - DIABO EXPLODE MUNDO EM 1981
24/5 - BEBÊ-DIABO PAROU TÁXI NA AVENIDA
25/5 - FAZENDEIRO É O PAI DO BEBÊ-DIABO
26/5 - BEBÊ-DIABO VIAJA PARA VER O PAI
27/5 - BEBÊ-DIABO APARECE NO LUGAR DO ECLIPSE
28/5 - MAIS 7 VIRAM O BEBÊ-DIABO
29/5 - BISPO MORRE DE MEDO DO BEBÊ-DIABO
30/5 - BEBÊ-DIABO ARRASA COM RITUALDE UMBANDISTA
31/5 - FANÁTICOS AMEAÇAM BEBÊ-DIABO DO ABC
1/6 - SEQÜESTRADO BEBÊ-DIABO
2/6 - BEBÊ-DIABO À MORTE
3/6 - BEBÊ-DIABO FOGE PARA O NORDESTE
4/6 - PADRE DE MARÍLIA: ‘EU ACREDITO NOBEBÊ-DIABO DO ABC’
5/6 - ZÉ DO CAIXÃO VAI CAÇAR BEBÊ-DIABONO NORDESTE
8/6 - POVO VÊ DE NOVO BEBÊ-DIABO DO ABC

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